quarta-feira, 23 de abril de 2014

SURDOCEGUEIRA E DIFICIÊNCIA MULTIPLAS

Surdocegueira

 É uma deficiência única que apresenta a perda da audição e visão de tal forma que a combinação das duas deficiências impossibilita o uso dos sentidos de distância, cria necessidades especiais de comunicação, causa extrema dificuldade na conquista de metas educacionais, vocacionais, recreativas, sociais, para acessar informações e compreender o mundo que o cerca.
Como lidar com a surdo-cegueira na escola?
A  crianças com surdo-cegueira costumam apresentar problemas na comunicação e na mobilidade. Podem, também, demonstrar reações de isolamento ou ser hiperativas. Por isso, contar com o atendimento educacional especializado (AEE) é primordial para a inclusão, para melhorar da qualidade de vida da pessoa surdo-cega e para a orientação dos educadores. É importante lembrar que cada caso é único e cada criança precisa ser estimulada com base em suas habilidades, respeitando-se os tempos de aprendizagem de cada um.
Segundo informações do Instituto Benjamim Constant, do Rio de Janeiro, o comprometimento simultâneo de ambos os sentidos varia de pessoa para pessoa. Alguns surdo-cegos têm audição residual e até a fala, nos casos em que a surdez evoluiu depois de o indivíduo já ter adquirido a linguagem oral (os chamados “pós-simbólicos”). Os casos mais graves são os “pré-simbólicos”, de surdo-cegueira congênita ou adquirida antes da aquisição da linguagem. Estes, sem dúvida, precisam de mais atenção para desenvolver formas alternativas de comunicação.
Deficiências Múltiplas

Entende-se por deficiências múltiplas a associação de duas ou mais deficiências: mental/visual/auditivo/física, comprometendo e/ou atrasando o desenvolvimento global da criança. Dificultando a aprendizagem e sua autonomia enquanto pessoa.
Trabalhar com pessoas com múltiplas deficiências requer um compromisso no que se refere à autonomia da criança ou adolescente.
É necessário buscar atividades funcionais que favoreçam o desenvolvimento da comunicação, das interações sociais, levando em conta as potencialidades do aluno.
Através das tecnologias assistivas pode-se criar alternativas que permitam ao aluno com deficiência fazer parte do processo de ensino-aprendizagem.  O maior desafio e o mais complexo dos educadores e familiares em relação a criança com deficiência é a comunicação . Ela precisa ser o mais significativa possível para que esses alunos com deficiência múltipla tenham interesse de se comunicar. Com isso o estimulo precoce tem papel fundamental no desenvolvimento das habilidades superiores.
Para Vygotsky, a transformação dos processos mentais elementares em funções superiores ocorre por meio das atividades mediadas e por meio das ferramentas psicológicas, o que implica, para esse autor, que a formação da subjetividade individual decorre do relacionamento com os outros (Gindis, 1995). Também diz que a criança deficiente representa sempre, um processo criativo e que essa criança apresenta meios particulares de processar o mundo.

Causas de deficiência múltipla

Várias podem ser as causas que envolvem a deficiência múltipla , de ordem sensorial, motora e lingüística. Podem ocorrer durante o pré-natal, Peri natal e pós-natal.
Algumas enfermidades podem causar deficiência múltipla:
Hipotireoidismo
Síndrome da rubéola congênita
Síndrome de Rett.

Tipos de Deficiência Multiplas
Surdez com deficiência intelectual;
Surdez com distúrbios neurológicos;
Surdez com deficiência física (leve ou severa);
Baixa visão com deficiência intelectual ;
Baixa visão com distúrbios neurológicos, emocionais, de linguagem e de conduta;
Baixa visão com deficiência física (leve ou severa);
Cegueira com deficiência física (leve ou severa);
Deficiência física com deficiência intelectual.

Características Gerais da Criança com Deficiência Múltipla

Aprendem mais lentamente;
Tendem a esquecer o que não praticam;
Tem dificuldade em generalizar habilidades aprendidas separadamente;
Necessitam de instruções organizadas e sistematizadas;
Necessita de ter alguém que possa mediar seu contato com o meio que o rodeia.


Necessidades da criança com Deficiência Múltipla.
Ser olhada como criança;
Ser olhada como alguém que pode aprender;
Ser considerada como potencialmente bem sucedida;
Sentir que a família e a escola têm expectativas positivas em relação a ela.

Necessidades Educacionais da criança com Múltipla Deficiência.


Posicionamento e manejo apropriado: evitará dores e complicações posturais, o posicionamento adequado do aluno permitirá que ele veja, ouça, alcance objetos e movimente-se nas diversas atividades;
Oportunidades de escolha: oportunizar o aluno a fazer escolhas, para a sua maior e melhor autonomia;
Métodos apropriados de comunicação; todas as formas de comunicação devem ser usadas;
Estimulação constante, de pessoas que se comuniquem de forma adequada e que proporcionem situações de interação;
Planejamento de toda a aprendizagem, incluindo aspectos simples e básicos de vida diária;
Interação em ambientes naturais, incluindo pessoas e objetos;
Oportunidades de aprendizagem centradas em experiências de vida real;
Organização e estruturação dos ambientes para lhes trazer segurança.
A grande dificuldade das crianças surdo-cegas está, justamente, em desenvolver um modo de aprendizado que compense a desvantagem visual e auditiva e permita o relacionamento com o mundo. Por isso, explorar as potencialidades dos sentidos remanescentes (tato, paladar e olfato) é essencial para a orientação e a percepção, tanto na escola, quanto fora dela. Tornar a escola um espaço fisicamente acessível para essas crianças mais um passo imprescindível para acolhê-las adequadamente.
Uma das alternativas de comunicação para os surdo-cegos pós-simbólicos consiste no sistema Tadoma, também conhecido como “Braille Tátil”. Nessa técnica a pessoa utiliza as mãos para sentir os movimentos da boca, do maxilar e a vibração da garganta do falante, e assim consegue interpretar o que é dito.

LEGISLAÇÃO no BRASIL

No Brasil a Constituição Federal de 1988 relata que a educação é um direito de todos e dever do Estado e da família, com a colaboração da sociedade, visando o pleno desenvolvimento da pessoa, seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o mercado de trabalho. A escola, por sua vez, tem como obrigação atender a todos seguindo os princípios de igualdade, acesso e permanência, liberdade de aprender e ensinar (artigos 205 e 206).
A negação de matrícula para alunos com deficiência, segundo a lei 7.853/89: ‘’Constitui crime punível com reclusão e multa: recusar, suspender, procrastinar, cancelar ou fazer cessar, sem justa causa, a inscrição de aluno em estabelecimento de ensino de qualquer curso ou grau, público ou privado, por motivos derivados da deficiência que porta’’(Inciso I do artigo 8º da lei Federal nº 7.853/89).
A Declaração de Salamanca é uma delas onde fica explicito que a educação de crianças com necessidades educacionais especiais deve ser tarefa partilhada por pais e profissionais.