sexta-feira, 18 de julho de 2014

O MODELO DOS MODELOS



O MODELO DOS MODELOS
Ítalo Calvino propõe em seu texto “O modelo dos modelos” onde inicialmente relata que seu Palomar acreditava que por meio de modelos resolveria tudo, percebendo a partir de cada construção que precisaria partir de vários modelos para realizar modificações e que estes eram transformáveis, passíveis de mudanças e transformações e jamais conseguiria realizá-los com modelos iguais.
Viajando pelo mundo, o personagem Palomar , do livro homônimo de Italo Calvino, teve a oportunidade de visitar no Japão um templo budista. Dispondo-se a contemplar o absoluto - segundo os preceitos da filosofia zen que preconiza a purificação das mentes ofuscadas –, Palomar vê-se forçado a compartilhar sua visita ao templo com outros turistas. Adultos e crianças se acotovelam para fotografar cada detalhe, ansiosos para digerir o mais rápido possível a visita. Ele gostaria de conseguir esvaziar a mente, despir-se de sua individualidade, mas isso exige um esforço suplementar e o seu eu está aglutinado a uma multidão compacta e que está ali simplesmente porque aquele é o itinerário obrigatório da visita turística. Subitamente, Palomar vê-se olhando o mundo com os “mil olhos” da multidão que o cerca. Ele se sente amalgamado a ela, incapaz, portanto, de usar o princípio isolante que lhe é tão útil na observação das coisas do mundo. Esse dado perturba o senhor Palomar, que vai procurar a resposta em outras experiências
Na educação inclusiva os alunos não podem ser vistos como modelos, os alunos constroem o seu próprio conhecimento partindo de sua capacidade, limitações e potencialidades sem perder o direito de expressar suas ideias. Que estes alunos não sejam vistos como especiais ou diferentes por suas limitações e sim que todos cresçam apesar de suas diferenças. Portanto, para que isso se efetive na prática, principalmente no cotidiano do AEE, devemos eliminar a padronização de modelos, adotando a singularidade do indivíduo como ponto de partida para um trabalho construtivo. A Constituição Federal de 1988 traz como um dos seus objetivos fundamentais, promover  o bem de todos, sem preconceitos de origem,raça,sexo,cor,idade,e quaisquer outras formas de discriminação (art.3º inciso IV).
Para ampliar o trabalho do AEE é necessário que o professor não sinta preso a modelos, paradigmas, pois os casos não são homogêneos, pelo contrário, no Atendimento Educacional Especializado jamais encontraremos homogeneidade e sim heterogeneidade, podemos até encontrar casos parecidos, mas nunca idênticos, mesmo porque estamos falando de seres humanos cada um com sua especificidade.

terça-feira, 10 de junho de 2014

Recursos e Estratégias em Baixa Tecnologia para Alunos com TEA

PRÁTICAS EDUCACIONAIS PARA
CRIANÇAS COM TGD/TEA

 "A apropriação do conhecimento a respeito do TGD/TEA e das práticas educacionais propiciadoras de desenvolvimento das competências  sócio-cognitivas de alunos com este transtorno, precisa ocorrer tanto pelo  professor da educação básica quanto do AEE" (Belisário & Cunha/2010).
 As estratégias  devem estar articuladas com as experiências diárias de cada um, para que se promova a aprendizagem e possam ser  difundidas pelos alunos para outros  ambientes de interação social.
As atividades selecionadas são a sistematização da Função Executiva, ou seja, propiciam um plano estratégico de ações sequênciadas. As atividades podem ser utilizadas tanto na sala regular com toda a turma, propiciando a interação do aluno com autismo, quanto no atendimento individualizado/AEE, na sala de recursos multifuncionais  e aplicadas com alunos de todas as idades, observando-se o nível de desenvolvimento que se encontram.
Compreendendo Função Executiva como "o conjunto de condutas de pensamento que permite a utilização de estratégias adequadas para se alcançar um objetivo. É uma função que se relaciona com a capacidade de antecipar, planificar, controlar impulsos, inibir respostas inadequadas, flexibilizar pensamento e ação" (Belisário & Cunha/2010).
Importante frisar que o problema fundamental do autista está relacionado a inflexibilidade, em prejuízo da Função Executiva,

Apresento estratégias de baixa tecnologia construídas com sucatas e materiais de baixo custo utilizados para trabalhar a percepção visual, a elaboração do pensamento, a atenção e concentração. A seleção de jogos estimulam os alunos com TGD/TEA, a construírem conceitos básicos de cor, forma e tamanho, assimilação, comparação, seleção, sequência numérica e alfabética, que podem ampliar as potencialidades dos alunos  na criação de estratégias próprias para a resolução de problemas.
 

Para planejar estratégias significativas, vale retomar o conceito de TECNOLOGIA ASSISTIVA.

A Tecnologia Assistiva, segundo Bersch (2006, p.2),”deve ser entendida como um auxilio que promoverá a ampliação de uma habilidade funcional deficitária ou possibilitará a realização da função desejada e que se encontra impedida por circunstância de deficiência”.
“Tecnologia assistiva são recursos e serviços que visam facilitar o desenvolvimento de atividades diárias por pessoas com deficiência. Procuram aumentar as capacidades funcionais e assim promover a independência e a autonomia de quem às utiliza”. (MELO, 2007, p. 94).
Conforme conceito proposto pelo Comitê de Ajudas Técnicas (CAT) da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República: "Tecnologia Assistiva é uma área do conhecimento, de característica interdisciplinar, que engloba produtos, recursos, metodologias, estratégias, práticas e serviços que objetivam promover a funcionalidade, relacionada à atividade e participação de pessoas com deficiência, incapacidades ou mobilidade reduzida, visando sua autonomia, independência, qualidade de vida e inclusão social." Veja algumas atividades alternativas para alunos co TEA.









quarta-feira, 23 de abril de 2014

SURDOCEGUEIRA E DIFICIÊNCIA MULTIPLAS

Surdocegueira

 É uma deficiência única que apresenta a perda da audição e visão de tal forma que a combinação das duas deficiências impossibilita o uso dos sentidos de distância, cria necessidades especiais de comunicação, causa extrema dificuldade na conquista de metas educacionais, vocacionais, recreativas, sociais, para acessar informações e compreender o mundo que o cerca.
Como lidar com a surdo-cegueira na escola?
A  crianças com surdo-cegueira costumam apresentar problemas na comunicação e na mobilidade. Podem, também, demonstrar reações de isolamento ou ser hiperativas. Por isso, contar com o atendimento educacional especializado (AEE) é primordial para a inclusão, para melhorar da qualidade de vida da pessoa surdo-cega e para a orientação dos educadores. É importante lembrar que cada caso é único e cada criança precisa ser estimulada com base em suas habilidades, respeitando-se os tempos de aprendizagem de cada um.
Segundo informações do Instituto Benjamim Constant, do Rio de Janeiro, o comprometimento simultâneo de ambos os sentidos varia de pessoa para pessoa. Alguns surdo-cegos têm audição residual e até a fala, nos casos em que a surdez evoluiu depois de o indivíduo já ter adquirido a linguagem oral (os chamados “pós-simbólicos”). Os casos mais graves são os “pré-simbólicos”, de surdo-cegueira congênita ou adquirida antes da aquisição da linguagem. Estes, sem dúvida, precisam de mais atenção para desenvolver formas alternativas de comunicação.
Deficiências Múltiplas

Entende-se por deficiências múltiplas a associação de duas ou mais deficiências: mental/visual/auditivo/física, comprometendo e/ou atrasando o desenvolvimento global da criança. Dificultando a aprendizagem e sua autonomia enquanto pessoa.
Trabalhar com pessoas com múltiplas deficiências requer um compromisso no que se refere à autonomia da criança ou adolescente.
É necessário buscar atividades funcionais que favoreçam o desenvolvimento da comunicação, das interações sociais, levando em conta as potencialidades do aluno.
Através das tecnologias assistivas pode-se criar alternativas que permitam ao aluno com deficiência fazer parte do processo de ensino-aprendizagem.  O maior desafio e o mais complexo dos educadores e familiares em relação a criança com deficiência é a comunicação . Ela precisa ser o mais significativa possível para que esses alunos com deficiência múltipla tenham interesse de se comunicar. Com isso o estimulo precoce tem papel fundamental no desenvolvimento das habilidades superiores.
Para Vygotsky, a transformação dos processos mentais elementares em funções superiores ocorre por meio das atividades mediadas e por meio das ferramentas psicológicas, o que implica, para esse autor, que a formação da subjetividade individual decorre do relacionamento com os outros (Gindis, 1995). Também diz que a criança deficiente representa sempre, um processo criativo e que essa criança apresenta meios particulares de processar o mundo.

Causas de deficiência múltipla

Várias podem ser as causas que envolvem a deficiência múltipla , de ordem sensorial, motora e lingüística. Podem ocorrer durante o pré-natal, Peri natal e pós-natal.
Algumas enfermidades podem causar deficiência múltipla:
Hipotireoidismo
Síndrome da rubéola congênita
Síndrome de Rett.

Tipos de Deficiência Multiplas
Surdez com deficiência intelectual;
Surdez com distúrbios neurológicos;
Surdez com deficiência física (leve ou severa);
Baixa visão com deficiência intelectual ;
Baixa visão com distúrbios neurológicos, emocionais, de linguagem e de conduta;
Baixa visão com deficiência física (leve ou severa);
Cegueira com deficiência física (leve ou severa);
Deficiência física com deficiência intelectual.

Características Gerais da Criança com Deficiência Múltipla

Aprendem mais lentamente;
Tendem a esquecer o que não praticam;
Tem dificuldade em generalizar habilidades aprendidas separadamente;
Necessitam de instruções organizadas e sistematizadas;
Necessita de ter alguém que possa mediar seu contato com o meio que o rodeia.


Necessidades da criança com Deficiência Múltipla.
Ser olhada como criança;
Ser olhada como alguém que pode aprender;
Ser considerada como potencialmente bem sucedida;
Sentir que a família e a escola têm expectativas positivas em relação a ela.

Necessidades Educacionais da criança com Múltipla Deficiência.


Posicionamento e manejo apropriado: evitará dores e complicações posturais, o posicionamento adequado do aluno permitirá que ele veja, ouça, alcance objetos e movimente-se nas diversas atividades;
Oportunidades de escolha: oportunizar o aluno a fazer escolhas, para a sua maior e melhor autonomia;
Métodos apropriados de comunicação; todas as formas de comunicação devem ser usadas;
Estimulação constante, de pessoas que se comuniquem de forma adequada e que proporcionem situações de interação;
Planejamento de toda a aprendizagem, incluindo aspectos simples e básicos de vida diária;
Interação em ambientes naturais, incluindo pessoas e objetos;
Oportunidades de aprendizagem centradas em experiências de vida real;
Organização e estruturação dos ambientes para lhes trazer segurança.
A grande dificuldade das crianças surdo-cegas está, justamente, em desenvolver um modo de aprendizado que compense a desvantagem visual e auditiva e permita o relacionamento com o mundo. Por isso, explorar as potencialidades dos sentidos remanescentes (tato, paladar e olfato) é essencial para a orientação e a percepção, tanto na escola, quanto fora dela. Tornar a escola um espaço fisicamente acessível para essas crianças mais um passo imprescindível para acolhê-las adequadamente.
Uma das alternativas de comunicação para os surdo-cegos pós-simbólicos consiste no sistema Tadoma, também conhecido como “Braille Tátil”. Nessa técnica a pessoa utiliza as mãos para sentir os movimentos da boca, do maxilar e a vibração da garganta do falante, e assim consegue interpretar o que é dito.

LEGISLAÇÃO no BRASIL

No Brasil a Constituição Federal de 1988 relata que a educação é um direito de todos e dever do Estado e da família, com a colaboração da sociedade, visando o pleno desenvolvimento da pessoa, seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o mercado de trabalho. A escola, por sua vez, tem como obrigação atender a todos seguindo os princípios de igualdade, acesso e permanência, liberdade de aprender e ensinar (artigos 205 e 206).
A negação de matrícula para alunos com deficiência, segundo a lei 7.853/89: ‘’Constitui crime punível com reclusão e multa: recusar, suspender, procrastinar, cancelar ou fazer cessar, sem justa causa, a inscrição de aluno em estabelecimento de ensino de qualquer curso ou grau, público ou privado, por motivos derivados da deficiência que porta’’(Inciso I do artigo 8º da lei Federal nº 7.853/89).
A Declaração de Salamanca é uma delas onde fica explicito que a educação de crianças com necessidades educacionais especiais deve ser tarefa partilhada por pais e profissionais.

quarta-feira, 12 de março de 2014

O AEE PARA ALUNOS COM SURDEZ



O AEE PARA ALUNOS COM SURDEZ

Constituição Federal de 1988 garante o direito à igualdade e trata, nos artigos 205 e seguintes, do direito de todos à educação. Esse direito visa ao “pleno desenvolvimento da pessoa, seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho” (art.205). Para viabilizar o acesso e permanência do aluno com deficiência na escola, suprindo suas necessidades e atendendo suas especificidades foi previsto o Atendimento Educacional Especializado/AEE como complemento e não um substitutivo da escolarização ministrada na rede regular para todos os alunos. Ele inclui, principalmente, instrumentos necessários à eliminação das barreiras que as pessoas com deficiência têm para se relacionar com o ambiente externo. A Constituição Federal orienta que este Atendimento Educacional Especializado seja realizado no contra turno do estabelecimento educacional. O decreto nº 6.571 de 17 de setembro de 2008, que dispõe sobre o AEE, considera que este é o conjunto de atividades, recursos de acessibilidade organizados institucionalmente prestados de forma complementar ou suplementar à formação dos alunos no ensino regular. A inclusão da pessoa com surdez na escola comum exige que se busquem meios para beneficiar sua participação e aprendizagem tanto na sala de aula comum, como no Atendimento Educacional Especializado, destacando três momentos didáticos pedagógicos: Atendimento Educacional Especializado em LIBRAS; Atendimento Educacional Especializado para o Ensino de LIBRAS; Atendimento Educacional Especializado para o Ensino da Língua Portuguesa. Essa finalidade viabilizar turmas nas salas de recursos multifuncionais onde o professor do AEE de Língua Portuguesa e em LIBRAS e o Instrutor de LIBRAS trabalhem em parceria com o professor de sala de aula comum, para que o aprendizado do português escrito e de LIBRAS por esse aluno seja contextualizado. A inclusão é um desafio que provoca mudanças na escola, redefinindo novas alternativas pedagógicas, que favoreçam a todos os alunos, o que implica na atualização e desenvolvimento de conceitos e em práticas escolares compatíveis com esse grande desafio.

quinta-feira, 28 de novembro de 2013

Audiodescrição

A audiodescrição é um  recurso que consiste na descrição clara e objetiva de todas as informações que compreendemos visualmente e que não estão contidas nos diálogos, como, por exemplo, expressões faciais e corporais que comuniquem algo, informações sobre o ambiente, figurinos, efeitos especiais, mudanças de tempo e espaço, além da leitura de créditos, títulos e qualquer informação escrita na tela. A audiodescrição permite que o usuário receba a informação contida na imagem ao mesmo tempo em que esta aparece, possibilitando que a pessoa desfrute integralmente da obra, seguindo a trama e captando a subjetividade da narrativa, da mesma forma que alguém que enxerga. As descrições acontecem nos espaços entre os diálogos e nas pausas entre as informações sonoras do filme ou espetáculo, nunca se sobrepondo ao conteúdo sonoro relevante, de forma que a informação audiodescrita se harmoniza com os sons do filme.A audiodescrição é uma tecnologia assistiva que busca suprir a lacuna deixada pela comunicação visual, para aqueles que dela não conseguem tirar proveito. No atual estado da arte dos meios de comunicação, não há dúvidas de que a ausência da audiodescrição cria uma situação de desconforto. Inúmeros são os momentos em que sentimos falta de um detalhamento do que está acontecendo. Seja na televisão, teatro, cinema ou mesmo nas descrições de gráficos e figuras de um livro, ou imagens de uma página da internet, ela é fundamental para a participação efetiva das pessoas com deficiência na interação com a sociedade